segunda-feira, 13 de abril de 2009

Eu sei que vou te amar.

- Ai amor. Com seu braço aí não consigo dormir!
- Mas eu gosto.
Ele gostava. Ela não conseguia dormir, mas ele gostava de dormir assim, abraçado. Pra quê dormir? Se quando ela dormia, só fazia apressar a hora de ir.
- Vem cá, olha pra mim.
- Fala.
- Se eu for estudar fora do país você me espera?
- Não.
Nem pensou naquele "não". Disse no ato, com aquele tom arrogante que ela tinha. Nunca havia pensado em esperas, disse o não por pura implicância. Depois disso, uma briga rápida e uma acusação chorosa de que ele arrumaria uma européia por lá.
- Eu não vou arrumar nenhuma européia, nem outra mulher nenhuma. Porque você pra mim é única, é só você que eu quero e vc sabe por que isso?
- ...
- Sabe?
- Não, não sei.
- Porque eu te amo. Não queria te dizer isso mas eu amo. Você me ama? Ama? Me diz?
Ela amava. Mas achava tão precipitado... Tão clichê dizer aquilo. E por ter sido surpreendida, confessou.
Por já estar tão exposto e não ter mais o que esconder, levantou-se da cama e com o violão em punho, deu a ela a declaração final, o hino eterno dos amantes, a melodia mais cantada pelos apaixonados.
Ali, aos pés da cama, tocando aquela música, ela se deu conta do homem bonito que ele era. Olhou pela janela escancarada a cidade cheia de luzes e sentiu que em algum dia sonhara exatamente com aquele momento e pensou que não merecia. Uma brisa gelada entrou no quarto, e ela deitou no braço dele. Como ele gostava.
O dia amanhecia em Ouro Preto.
Era Sábado de Aleluia.